sábado, 27 de maio de 2017

mágoas

ainda outono,
pelas janelas do tempo
as águas de março
não acabam

não acabam...

o mesmo outono,
dono das chaves
dono das claves
chora

e chora

quarta-feira, 24 de maio de 2017

e só...

não quero
estrelas e
sonhos

quero
o travesseiro
e o sono

deixar o corpo
apagar-se livre de
alheias fomes

além
do que é
nome

além
do que é
posse

outonar-me
em voo
solo

domingo, 21 de maio de 2017

peco

há dejetos
de mim

nas esquinas
dos pretéritos

na saliva
dos espectros

e ainda assim
há um pedaço do fim

a dizer ao que fui
sim, sim, sim

e fluo...

sexta-feira, 19 de maio de 2017

ruínas

em dia
de faxina

nem a prosa
nem a poesia

livram-se dos ralos
e da cova fria

segunda-feira, 15 de maio de 2017

das certezas

e o vento não levou
e a chuva não lavou
o quê o tempo
tão bem tatuou

os meses, as horas
caem, passam, riem, choram
sem enterrarem os dias
em que teu nome mora

são cruéis esses úteros
a parirem tuas faces
psicoticamente num enlevo
de quem luas, engolem

e cobrem de feridas
carne e alma que mentem
ter esquecido teus olhos
presos de remorso

num átimo de morte

tese


noites ( e dias )
em que qualquer
salto é
parto

peripécias
de belas e
pedras,
príncipes
e cacos

tecituras
de quem
voa sem naves
num mergulho
sem asas

e ainda
verde, tenro
teso, tenso,
feto, suicida-se
... nasce...

quinta-feira, 11 de maio de 2017

pausa

e se me perguntar
aonde escondi o seu
retrato

hoje respondo:
ali no meio
do nada

enterrado
tão fundo, sem nome
sem verbo, sem lápide

não quero
ao meu alcance
seus passos

não quero
sua face em minhas
palavras...

domingo, 2 de abril de 2017

alhures

abrem-se os dias
uns em meio a nuvens
outros a céu aberto

incertos os sóis
incertos os lençóis
incerta a lua

e esses varais
à espera de sinais
à espera de poesias

essas
que escondem-se
nas palavras nuas

as tuas...

terça-feira, 28 de março de 2017

sons

outono
e seus tons

outono
e seus dons

palavras
e mais palavras

à merce
de um armagedom...

segunda-feira, 27 de março de 2017

tara

tenho pensado
em chagas, em pragas
mais do que
em rosas

e se
a palavra, roço,
nela, desperto
amores torpes

esses
a medrar versos
a banir os terços
a dobrar joelhos

eu sei,
é essa sua ausência
a lembrar-me
dos desejos tortos...